Comprar um celular para aquele parente que não entende muito de tecnologia é sempre um campo minado. O que a gente procura quando recebe essa ingrata missão? Provavelmente um aparelho da linha Galaxy A, certo? Afinal, eles costumam dar conta do recado e preenchem quase todos os requisitos de quem só quer um telefone que funcione sem dar dor de cabeça na primeira semana de uso.
Se você está caçando um smartphone para alguém que passa longe de ser um aficionado por gadgets, a sua lista de exigências já deve estar bem padronizada. A gente quer durabilidade em vez de design frufru, uma bateria sólida que não morra no meio da tarde e uma tela de 120Hz — estamos em 2026, galera, não dá mais para abrir mão de fluidez. Somado a isso, você vai buscar o melhor processador que o seu dinheiro puder pagar, alto-falantes decentes para a pessoa conseguir escutar o viva-voz e câmeras que não entreguem fotos parecendo que foram tiradas por uma Tekpix.
Nessa brincadeira, a gente já deixa os iPhones de escanteio. A Apple tem uma seleção pífia de aparelhos novos que se encaixem no conceito de algo acessível. O mercado Android domina absoluto quando o papo é aparelho na faixa de 250 a 400 dólares. Sendo bem sincero, fuja de qualquer coisa que custe menos que isso. Opções abaixo da marca dos 250 dólares costumam exigir concessões pesadas e vão te enlouquecer com os engasgos do sistema. Tarefas ordinárias do dia a dia, como abrir o Google Maps, digitar um endereço e iniciar a navegação, podem se tornar um parto de tão lentas. Você definitivamente não quer receber uma praga de um parente distante porque o celular que você recomendou trava a cada deslizada de tela. Fique nessa janela de 250 a 400 dólares, se possível.
Eu estava justamente de olho no último grande vazamento do Galaxy A27 e confesso que a ficha técnica dele me deixou bastante animado. Parecia ser o alvo perfeito. Só que aí fui dar uma fuçada a mais na internet e, como diria o Mestre Yoda, “existe outro”. Um celular da Nothing, que eu já tinha quase apagado da memória, roubou minha atenção e embolou o meio de campo. Aparelhos focados em custo-benefício são traiçoeiros porque sempre te fazem questionar se você não está perdendo algum detalhe nas entrelinhas.
Foi exatamente no meio dessa indecisão que um monstrinho da própria fabricante coreana caiu no meu radar e reconfigurou minha busca: o Samsung Galaxy M54 5G. Em vez de ficar aguardando o A27 ou apostar na Nothing, analisar as entranhas desse modelo da linha M é entender o que um intermediário parrudo realmente significa em termos de hardware cru. Ele chega rodando Android 13 sob a interface One UI 5.1 e traz como cérebro o Exynos 1380. Esse chipset de 64 bits conta com oito núcleos, sendo quatro Cortex-A78 a 2.4 GHz para segurar as pontas em aplicativos mais pesados e quatro Cortex-A55 a 2.0 GHz para focar na eficiência energética. Apoiado pela GPU Mali-G68 MP5 e por 8 GB de memória RAM, é potência mais do que suficiente para garantir que as rotas do GPS não fiquem travando. Os generosos 256 GB de armazenamento, expansíveis via cartão híbrido MicroSDXC até 1024 GB, dão espaço de sobra para uma vida inteira de áudios no WhatsApp.
Lembra daquela nossa exigência de tela rápida? O M54 entrega isso num display Super AMOLED Plus imenso de 6.7 polegadas, com a taxa de atualização de 120Hz cravada. O painel traz resolução de 1080 x 2400 pixels, densidade de 393 ppi, reproduz 16 milhões de cores e ainda conta com a proteção do Gorilla Glass 5. Porém, o grande trunfo da linha M, aquilo que realmente brilha aos olhos de quem só quer praticidade, é o tanque de guerra escondido debaixo do chassi: uma bateria LiPo de absurdos 6000 mAh. Na prática, esse componente oferece uma autonomia de até 3300 minutos de conversação, o que basicamente significa que seu parente vai esquecer onde guardou o carregador.
Batendo o olho nas câmeras, o conjunto principal passa longe de ser apenas “aceitável”. Ele é liderado por um baita sensor de 108 Mp com abertura F 1.8 e estabilização ótica de imagem, acompanhado por uma lente ultrawide de 8 Mp e uma macro de 2 Mp (F 2.4). O foco por toque, autofoco, HDR e detecção facial estão todos lá. A câmera frontal não fica atrás, oferecendo um sensor de 32 Mp (F 2.2) que tira selfies excelentes e grava em 4K a 30fps, mesma resolução de gravação em vídeo alcançada pelas lentes traseiras. Tudo isso empacotado num corpo de 199 gramas, medindo 164.9 x 77.3 x 8.4 mm, recheado de conectividade moderna: Wi-Fi 6, 5G para downloads atingindo teóricos 3790 Mbps, Bluetooth 5.3, NFC e um pacote robusto de navegação com GPS, GLONASS, Galileo e BeiDou. Se a premissa original era não sacrificar qualidade em busca de um preço justo, a ficha técnica desse M54 muda bastante a dinâmica da conversa.