O aumento vertiginoso da demanda por eletricidade, impulsionado pela expansão de data centers, a popularização dos veículos elétricos e o aquecimento da manufatura local, abriu uma janela de oportunidades significativa no setor de energias renováveis. Nesse cenário, a Cherry Street, empresa de tecnologia solar sediada em Atlanta, movimentou o mercado esta semana ao anunciar a aquisição de 16 projetos de geração distribuída em operação da Inman Solar, consolidando sua posição no sudeste dos Estados Unidos.
Essa transação estratégica adiciona 12,7 megawatts de capacidade ao portfólio da Cherry Street, com ativos espalhados pela Geórgia, Flórida, Washington D.C., Carolina do Sul e Michigan. A maior parte desses projetos está concentrada na Geórgia, onde a energia e os atributos renováveis são vendidos para a Georgia Power, integrando programas solares já aprovados pela comissão de serviços públicos local. Embora os valores da negociação não tenham sido divulgados, o movimento reforça a capacidade da empresa de abastecer milhares de residências e sustentar o desenvolvimento econômico regional.
Parcerias estratégicas e futuro do armazenamento
A relação entre as duas empresas de Atlanta não é recente. Michael Chanin, CEO da Cherry Street, e Dan Fossitt, presidente da Inman Solar, colaboram há mais de uma década no setor. O acordo beneficia ambos os lados: enquanto a Inman foca em seus serviços de engenharia e construção (EPC), a Cherry Street amplia seus ativos de geração de longo prazo. Segundo Chanin, a aquisição também abre portas para a integração futura de baterias de armazenamento, o que aumentaria a resiliência da rede elétrica e agregaria valor aos ativos.
Essa flexibilidade é essencial, visto que o perfil dos clientes está mudando. Se antes o foco eram municípios, universidades e hospitais — como a Emory University e o Aeroporto de Atlanta —, hoje há um interesse crescente do setor industrial. A economia de escala e o crescimento do mercado tornaram a eletricidade solar extremamente competitiva frente às fontes tradicionais.
Entendendo a tecnologia: Fotovoltaica vs. Térmica
Em meio a essas notícias de expansão corporativa e grandes usinas, é comum que surjam dúvidas sobre o funcionamento básico dessa tecnologia. Frequentemente, confunde-se “placa solar” com “painel fotovoltaico”, termos que, embora usados de forma intercambiável no dia a dia, referem-se a equipamentos com funções distintas na matriz energética e na economia doméstica.
Os painéis fotovoltaicos, tecnologia base dos projetos da Cherry Street, são projetados para converter a luz do sol diretamente em eletricidade. Compostos por células de silício, um material semicondutor, esses painéis operam através do efeito fotovoltaico: quando os fótons da luz solar atingem as células, elétrons são excitados, gerando uma corrente elétrica. É essa energia que alimenta residências e indústrias. Além disso, o excedente produzido pode ser injetado na rede da distribuidora, gerando créditos que podem ser utilizados para abater o consumo em até 60 meses, representando uma economia que pode chegar a 95% na conta de luz.
O papel do aquecimento solar
Por outro lado, o que popularmente chamamos de “placa solar” refere-se, tecnicamente, aos coletores solares térmicos. Diferente dos painéis fotovoltaicos, a função aqui não é gerar eletricidade, mas sim captar o calor da radiação solar para aquecer água. Fabricados com materiais de alta condutividade térmica, como cobre e alumínio, esses coletores transferem o calor absorvido para um reservatório térmico (o boiler).
Esse sistema atua como uma alternativa eficiente aos chuveiros elétricos e aquecedores a gás, focando exclusivamente no aquecimento de água para banho e torneiras. Portanto, enquanto os coletores térmicos lidam com calor e conforto direto, os painéis fotovoltaicos lidam com a geração de energia elétrica limpa e renovável.
Ambas as tecnologias são vitais para mitigar os efeitos das mudanças climáticas, oferecendo alternativas sustentáveis em um mundo que busca urgentemente reduzir sua dependência de combustíveis fósseis. Seja através de grandes aquisições como a da Cherry Street, que visam estabilizar a rede elétrica regional, ou através da instalação residencial de aquecedores, o aproveitamento do potencial solar se mostra o caminho mais viável, ecológica e economicamente.